EXPERIÊNCIA COMUNITÁRIA

8ª REUNIÃO - MOTIVAÇÃO: "O PROJETO DE DEUS E A CONDIÇÃO HUMANA" 3ª Parte

ROTEIRO

1. CANTO INICIAL
2. INVOCAÇÃO À TRINDADE / ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
3. ORAÇÃO: - Leitura silenciosa do texto Jos 1, 7-9 (cada qual na sua Bíblia)
- Um dos presentes faz, em voz alta, a leitura do texto, conforme transcrito abaixo, para que todos acompanhem a mesma tradução.
"Tem ânimo, e sê corajoso para cuidadosamente observar toda a lei que Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te afastes dela nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas feliz em todas as tuas empresas. Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei, medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperas em teus caminhos e serás bem sucedido, isto é uma ordem: Sê firme e corajoso. Não tenhas medo, porque o senhor está contigo em qualquer parte onde fores". (Conforme Bíblia Ave Maria).
- Cada pessoa destaca, em voz alta, o versículo que mais o tocou.
- Intenções particulares / Oração litúrgica.
4. CO-PARTICIPAÇÃO
- Qual a experiência que você tem com a Bíblia? Tem hábito de ler, meditar, escutar a palavra sozinho, em casal ou em família? Você nunca leu? Por quê?
5. TEMA DE ESTUDO - "A BÍBLIA - UMA HISTÓRIA DE AVENTURA ENTRE DEUS E O HOMEM"
- Procurar responder em dupla, tem que ser o casal, as questões anexas, apoiando-se no texto estudado em casa (distribuído na reunião anterior). Depois o casal coordenador concluirá o estudo dirigido.
6. TAREFA DE CASA
- Ler, no decorrer do intervalo entre esta reunião e a próxima, os textos do Gênesis que estão recebendo hoje e os comentários de cada parte. Façam isto em casal, cada dia lendo uma parte, para não cansar e ficar bem entendido.
- A cada casal caberá, também, um dos textos (a ser sorteado), para fazerem um aprofundamento. Levar para a próxima reunião a reflexão por escrito. Aprofundar o texto sorteado, fazendo a reflexão dele com a vida de vocês.
7. AVISOS
8. CANTO
9. ORAÇÃO FINAL
10. LANCHE

Texto 11

A BÍBLIA UMA HISTÓRIA DE AVENTURAS ENTRE DEUS E OS HOMENS

Questões para interpretação do texto (Estudo dirigido)
1. Por que a Bíblia é o livro da história de Deus e dos homens?
2. Como deve ser feita a "Escuta da Palavra de Deus" através da Bíblia?
3. Como vocês interpretam a ilustração que aparece no texto?
4. Por que a Bíblia é uma radiografia da realidade e não uma fotografia?
5. Como podemos fazer de nossa história uma história de salvação?
6. Por que a Bíblia é uma palavra educadora?
7. Como podemos nos colocar em sintonia com Deus?
8. Por que Cristo é a figura central do Novo Testamento?
9. Qual a importância do povo de Israel no AT?
10. Qual a importância do A. T. Para nós hoje?
11. Qual a tarefa que nos cabe hoje?
12. Quais são os 5 tipos de livros do AT?
13. Qual é o primeiro livro da Bíblia? Por que ele é importante?
14. Quais são os 4 tipos de livros do NT?


O MUNDO É CRIAÇÃO DE DEUS
1ª Parte: Gn 1, 1-25
Comentários: Vivemos num mundo que já existia antes de nós.
Pisamos a terra, respiramos o ar e encontramos alimento. Ao redor, estão rios, os lagos, o mar, as montanhas. Em cima, o sol, a lua e milhões de estrelas.
De onde vem tudo isso? Há muitas explicações sobre a origem do mundo. Nós, que aceitamos a Palavra de Deus pela fé sabemos como aconteceu. A origem do mundo é um mistério. Mas temos certeza de que tudo isso é obra de Deus.
Então Deus criou o céu e a terra e "viu que tudo era bom". Tudo vem à vida, participando da Bondade, da Beleza, do Amor de Deus.
O mundo que Deus quer é um mundo bom.
E a criação de Deus continua; não é um gesto de começo e que terminou. Deus não é só origem e fonte de todas as coisas, mas Ele ainda as mantém com o mesmo gesto criador.
Deus continua a ser fonte de vida, sustentando a vida e a existência de todas as coisas.

SOMOS PARECIDOS COM DEUS
2ª Parte: Gn 1, 26-31
Comentários: Todas as coisas que existem foram chamadas a existir pela Palavra criadora de Deus. Mas quem somos nós?
Dentre todas as coisas criadas por Deus, só nós fomos criados à "imagem e semelhança de Deus". Só nós somos representantes de Deus: somos o Retrato de Deus, parecidos com Ele. Só nós como Ele, somos capazes de conhecer, de amar, de decidir, de criar, de comunicar, de agir como criaturas.
Fomos criados no 6º dia da criação: É o cume da criação, a criatura mais perfeita: "Imagem e semelhança do criador". Mas o homem não é Deus, nem igual a Ele. Não possui a perfeição plena e absoluta. Existe o 7º dia, que é o dia de Deus. A eternidade, o dia do descanso de Deus. O 6º dia é vizinho do 7º, que é dia da perfeição. Portanto sendo vizinho fica no terraço de Deus. É chamado a participar de intimidades com Deus. Só Deus é mais perfeito que o homem.
Deus disse: "dominai a terra - Eu vos dou". Com estas palavras Deus nos entrega o mundo, não para sermos os donos, mas os administradores e para cultivarmos o mundo.
Somos seus representantes, com capacidade maior que as outras criaturas, com a missão de dominar e não destruir o mundo. Dominar pela técnica, pela ciência, pelo trabalho. Mas isso só se faz, uns em comunhão com outros. Nossos semelhantes não nos foram dados para serem dominados, mas respeitados e amados com a mesma dignidade e respeito com que Deus nos ama.
Deus criou Homem e Mulher. A mulher como companheira do homem, não como criatura que se possa subjugar. Ela não é nem mais, nem menos. Simplesmente homem e mulher se completam para serem "imagem e semelhança de Deus". E Deus lhes deu um poder que só podem realizar em comunhão: o poder de dar a vida. Um sem o outro não são completos. Juntos formam a pessoa conjugal, que pode, no amor, comunicar a vida e assim imitar o gesto criador de Deus.

SOMOS CORPO E ESPÍRITO
3ª Parte: Gn 2, 7. 18-24
Comentários: Estamos no mundo como homens ou como mulheres e somos corpo e espírito. Deus forma o homem do "barro da terra" e lhe dá o sopro de vida. Ser barro da terra nos mostra a nossa dimensão do corpo. Vivemos no mundo em nosso corpo, mas ao mesmo tempo o nosso corpo é o lugar do espírito, o sopro da vida.
Somos "barro" (corpo), isto é: limitados e fracos como as outras criaturas. Mas somos também "sopro de vida", isto é: semelhança a Deus, porque somos espírito também. Não é que temos espírito e alma. É que somos espírito em nosso corpo. Vivemos as atividades de nosso espírito em nosso corpo: pensamos, amamos, temos saudades, nos comunicamos, etc...
Não somos mais corpo do que espírito, nem mais espírito do que corpo. Nós só existimos como criaturas humanas com corpo e espírito.
Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só". Deus não quer o homem sozinho. Como amar na solidão?
Se somos imagem de Deus, como sopro de vida, então fomos criados para viver em comunhão (comum-união). Face a face com o outro é que tomamos consciência de nós mesmos, podemos sair de nós, nos relacionamos com os outros completamente e somos completados pelos outros. Viver corporalmente a comunhão é viver em comunidade.
Deus manda um sono a Adão, tira-lhe uma costela e da costela do homem faz a mulher:
Mandar um sono não quer dizer dormir. Quer dizer que a criação não acontece aos olhos do homem: é um mistério. A vida pertence a Deus e a recebemos como um presente misterioso.
Tirar uma costela para formar a mulher é o modo de dizer que o homem e a mulher são da mesma natureza e dignidade "osso de meus ossos", "carne da minha carne". Os dois têm a mesma origem no amor criador de Deus. Foram criados diferentes em seu corpo e em seu espírito para serem uma só carne e formando a pessoa conjugal colocarem a vida e as diferenças em comunhão.
Deus manda o homem dar nome aos animais. Pôr nome significa ser superior aos animais e ter direitos sobre eles. O homem é o senhor da criação.
No versículo 23 diz: "ela se chamará mulher: "que quer dizer da mesma natureza do homem. O hebraico (que foi a língua de Gênesis) joga com as palavras: ishsha = mulher e ish = homem.

SOMOS COLABORADORES DE DEUS
4ª Parte: Gn 2, 15-17
Comentários: Deus criou tudo que existe. Ele é a fonte de toda existência. Mas criar não é o mesmo que fazer. Criar é dar origem ao que não existia. Deus poderia, em seu poder, deixar o mundo prontinho, apenas para ser usado pelos homens. Mas Deus quis nos dar a honra de participarmos de sua obra. Por isso, Deus criou o mundo e nos colocou nele com inteligência, capacidade de ação e criatividade, para aperfeiçoarmos cada vez mais a obra da criação.
Deus colocou o homem num "jardim" para o guardar e cultivar. Jardim é o lugar externo da casa, mas um prolongamento dela e faz parte dela.
Então o homem é colocado no mundo, mas para viver no ambiente doméstico de Deus, isto é: na sua intimidade, mas em condição de criatura e não de criador. O mundo é jardim enquanto é lugar do homem ser feliz. A felicidade é um programa de vida, está no projeto de Deus para nós e está ligada à nossa fidelidade a Deus. E essa fidelidade acontece enquanto estamos no jardim, na intimidade com Deus, cultivando e não destruindo. A felicidade completa se dará quando passarmos do jardim para o interior da casa de Deus.
O trabalho faz parte da vida, como direito e dever de todos. Só através do trabalho conhecemos a nós mesmos e, provocados pelas coisas, despertamos nossas capacidades e as desenvolvemos. No mundo criado por Deus, exercemos através do trabalho o nosso poder criador, e vamos, pela ciência, pela técnica e pelas artes, conhecendo, dominando e transformando o mundo.
São milhares as atividades humanas e todas elas importantes, porque é através delas que nos tornamos colaboradores de Deus na organização do mundo.

O PECADO ESTRAGA A CRIAÇÃO
5ª Parte: Gn 3, 1-6
Comentários: Vimos que o mundo criado por Deus é bom. Ele criou-nos à Sua imagem e semelhança e nos colocou num jardim (mundo), para sermos felizes cultivando esse jardim.
Contudo o mundo em que vivemos não é inteiramente bom. Ele sempre foi marcado pela violência, ódio, guerras, injustiças. Há muitos desequilíbrios (riqueza, opressores, miséria, oprimidos). Enfim, há muita desigualdade. E os desequilibrados não são só nos relacionamentos entre as pessoas; também na natureza e no mundo criado há sinais de destruição e morte. Parece que fracassamos como administradores das coisas criadas. Há competição violenta entre as nações. O terrorismo e a guerra se alastram. O mundo parece selvagem. O mundo já não é aquele paraíso que Deus pensou e criou. Por que?
Muitas vezes culpamos Deus pelo mal do mundo, ou dizemos: "esta é a vontade de Deus". Mas será que Deus quer o sofrimento, as injustiças, a violência? Não. Deus é o Pai e Pai amoroso. O mal do mundo não vem de Deus.
A Bíblia nos fala que o homem foi criado com tanta grandeza que não quis por vontade própria ser apenas semelhante a Deus. Não quis ser obediente, não quis a intimidade de filho. Ele quis ser igual a Deus. Não quis ser administrador do mundo; quis ser dono. Não quis assumir sua criatividade. Limitado e pobre, quis ser Deus. É o orgulho: rompimento de sua relação de dependência com Deus. O homem se esqueceu que sua grandeza e força vinham de sua intimidade com Deus. Desprezando Deus, o homem anarquizou o mundo e causou uma desordem na sua própria inteligência e no seu coração. Rompendo com Deus, sua liberdade perde a força para o bem. E o mal passa a dominar seus pensamentos e atos.
O texto também fala de uma serpente. Ela é aí o símbolo da força do mal, que envenena a cabeça e o coração do homem com a mentira e o orgulho. Ela diz "vocês serão como deuses!" Leva o homem a querer ser mais do que é. E o homem passa a querer dirigir o mundo apenas com a sua sabedoria e força. Aí está o pecado: excluir Deus da vida e com isso excluir os outros como semelhantes. O resultado é que o homem, rompendo sua liberdade da Fonte do Bem que é Deus, só consegue fazer a sua história como história de condenação e morte.
O mal entra no mundo não pela vontade de Deus. O mal é criado, pela falta de comunhão com Deus.

DEUS NÃO NOS ABANDONA
6ª Parte: Gn 3, 3-6. 20-24
Comentários: Deus contava conosco. Não correspondemos à sua confiança. Trocamos seu amor pelos bens do mundo, e sem Deus, ficamos fracos, agressivos. Pelo pecado borramos a imagem de Deus em nós. E uma imagem borrada se joga fora. Mas Deus não faz assim. Ele não nos abandona. Ele sempre nos procura, mesmo quando d’Ele fugimos. Seu amor é muito maior que nosso pecado. Não é Deus que abandona o homem. É o homem que se esconde de Deus. Deus não permite que o pecado destrua o homem. Santo Irineu dizia: "O homem caído não cai das mãos de Deus".
Eles viram que estavam nus. Estar nu, aqui, não quer dizer estar sem veste. É estar despojado da dignidade da glória, da intimidade com Deus. É estar na miséria, sem a força e sem a glória de Deus. É tomar consciência do seu empobrecimento.
"Eles ouviram os passos do Senhor". Esta citação quer dizer que Deus não abandonou os homens, não os entregou ao poder do mal. Continua Sua presença amorosa no mundo. Vem constantemente à procura do pecador e o chama: "onde está você?" Isso quer indagar onde a pessoa se colocou pelo pecado. Em que situação qualitativa (qualidade) de vida você se encontra? Ao mesmo tempo em que Ele indaga onde estamos, oferece oportunidade para o homem reconhecer seu pecado e de sua volta pelo perdão.
O Senhor os expulsou do jardim e sua entrada ficou proibida. "Viver fora do jardim é estar fora da intimidade com Deus". Assim, fora do jardim, como nossa escolha, fazemos a experiência do pecado.
A volta ao paraíso e o acesso à felicidade só se dará quando votarmos à amizade e intimidade de Deus.

O HOMEM FORA DO PARAÍSO
7ª Parte: Gn 6, 1-13
Comentários: O homem expulso do paraíso, prefere viver sem a intimidade de Deus. Mas não o abandona. O homem faz a experiência de uma história de perdição e morte. Qual é o resultado?
O homem foi criado para viver no paraíso. Feliz, na intimidade com Deus e administrando o mundo. No momento em que ele "fugiu da face do Senhor" e se escondeu, ele perdeu o rumo e se desorientou em suas capacidades. O mundo conduzido pelo homem que rejeita a Deus, só pode chegar à corrupção e ser levado à perdição.
O mesmo Deus que criou o mundo e "viu que tudo era bom", agora contempla o mesmo mundo, marcado pela força do pecado e vê que "a Terra corrompia-se e se enchia de violência!"
O homem, fora do paraíso, se torna fraco, produtor de ódio, da mentira, da violência. Ele perde sua força de sustentação, que é a intimidade com Deus.
E perguntamos: Onde está Deus? Será que Ele não se interessa mais pelo mundo? Mas vimos que Deus está acompanhando de perto os acontecimentos. Deus não quer a perdição do mundo. Ele quer purificá-lo e libertá-lo de seu pecado. É o que vemos no Dilúvio. A narração do dilúvio era uma tradição quase que universal. O mundo bíblico achou que a narrativa do dilúvio era uma tradição adequada para exprimir uma idéia teológica: chegou o momento em que a Terra estava tão corrompida, que Deus não pôde ficar indiferente. Deus julga o mundo para dar-lhe uma nova oportunidade e faz uma Aliança com Noé. Deus purifica o mal do mundo e recomeça sua criação com Noé. O dilúvio não é uma ação de Deus para destruir o mundo. É uma purificação do mundo pela água e os que se salvaram puderam dar início a uma nova humanidade. As águas do dilúvio são o símbolo das águas do Batismo. Assim como o dilúvio purificou o mundo de sua corrupção e possibilita o reinicio da vida, assim também o Batismo purifica o homem do pecado e lhe dá o germe da vida nova.

SEM DEUS NÃO HÁ SALVAÇÃO
8ª Parte: Gn 11, 1-9
Comentários: Sentimos a força do pecado em nós mesmos. Mas é também verdade que no fundo existe em nós um grande desejo de encontrar Deus. Conservamos dentro de nós uma profunda saudade do paraíso. Deus permitiu que nos afastássemos d’Ele, mas conservou em nós a saudade, o desejo de voltar... Desejamos ser felizes.
Deus conservou em nós o desejo de salvação para que um dia pudéssemos aceitar o convite de voltar. O pecado desorganiza a pessoa, desequilibra mas não destrói.
A Bíblia nos conta a história da Torre de Babel. A construção dessa torre quer nos mostrar uma humanidade cansada de buscar a felicidade nas coisas deste mundo. Ela agora tenta construir uma torre, não para louvar a Deus, mas para subir aos céus. Mas quer chegar lá sozinho, provar sua auto suficiência, excluindo
Deus de seus projetos. É o homem que amadurece no seu orgulho e lança um desafio: Nós nos salvamos sozinhos, sem precisar de Deus. Isso é uma heresia!
Alcançar Deus e a salvação com suas próprias forças mostra um homem enraizado em sua própria auto suficiência e orgulho. E tais homens estão desunidos entre si. Tal desunião e desequilíbrio são chamados de confusão das línguas, que quer dizer: o orgulho traz a desunião e a falta de entendimento e solidariedade entre as pessoas.
Na Torre de Babel vemos uma humanidade que quer se salvar sozinha, sem Deus. Esta tentação de ser auto suficiente e excluir Deus dos projetos de salvação e construção do mundo, é uma tentação presente no mundo antigo e no atual.
Existe muita insatisfação no mundo que vivemos. Mas os projetos de salvação dos homens e de reconstrução do mundo não fazem conta de Deus. Continuam repetindo Babel. Sonhamos com um mundo melhor, mas sem Deus.